#03 poster tipográfico + história da fonte Bodoni

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“lar é onde o coração está”

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vamos a mais um trabalho do meu mestrado em Design e Cultura Visual!
pois bem! desta vez era algo bem simples, mas com uma profunda pesquisa: escolher uma família tipográfica / fonte, e criar um poster tipográfico, com uma citação.
valei pegar uma frase e escrever… mas eu acabei viajando na maionese e criei algo bem conceitual (e confesso, por uma falha de má interpretação, ufa!).
o professor – Fábio Martins – queria ver nosso ritmo, postura, continuidade, habilidade técnica, e por aí vai.

vamos lá que hoje é dia de dissertar #risos

 

 

conceitos

o que um lar verdadeiramente acolhedor precisa para ser um lar?
amor, simplicidade e personalidade. Pensando nestes conceitos, unidos a essência da fonte escolhida – Bodoni – o poster “home” foi criado para expressar todas estas sensações.

a ideia, de um modo geral foi expressar os conceitos, critérios e sensações da fonte escolhida – Bodoni – junto a citação escolhida – “lar é onde o coração está”, de forma descontruída, e que retrata principalmente a simpicidade, e o contraste entre: as cores escolhidas (uma intensa e outra leve), os espaços em branco e preenchidos, o pesado (um símbolo central grande) e o sutil (as palavras suaves), os materiais escolhidos (um papel delicado e o gouache denso, usado com pincéis delicados), e a clareza na percepção do sentido, dos símbolos, e conceitos mais profundos e sutis, com todos os seus significados.

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[trazer da imaginação pro real – um processo delicado e todo slow@oliverthi]

 

a escolha inicial do kanji que representa a palavra lar, retrata aqui o amor, reforçada pela cor vermelha que transmite esta sensação, além do desejo ao aconchego dentro de um lar. faz também conexão, de forma lúdica, com o que mais expressa esta sensação em minha vida hoje – meu cão, que é de uma raça oriental. em volta, formando o desenho do lar/casa (silhueta), as palavras – home – distribuídas de forma uniforme, utilizando a reprodução da fonte Bodoni em sua versão itálica, para expressar movimento (o da leitura contínua das palavras, criando uma espécie de bolha-proteção ao sentimento “guardado”dentro da casa). a cor escolhida, o azul, representa as sensações de paz e a calmaria de um lar.

ao final da frase, que também é o início, dois elementos foram utilizados para iniciar e concluir a leitura, além de preencherem um possível espaço em branco: corações, de diferentes tamanhos, que também de forma lúdica, representam a família contina neste lar (eu mesmo e meu cão-filho).

agradecimento especial a amiga Ale, da tegami, pelas aulas de caligrafia pelo instagram! 😛

 

materiais utilizados

* papel texturizado de alta gramatura, formato 50 x 70 mm
* gouach bermellón (Talent) para o kanji central & pincél round n. 06 (Daler Rowney) * gouach azul lapislázuli (Talent) para as palavras & pincél at n. 02 (Daler Rowney)
* pincél round no 0 (Daler Rowney) para o acabamento de pequenas áreas

 

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[o processo de criação: ideias, rascunhos, testes, pra depois finalizar! – @oliverthi]

gostou do resultado?
eu tô pensando seriamente em por ele para venda no studio on-line. que achas?
se quiser, por hora, pode falar comigo aqui tá? que eu dou um jeito de entregar ele pronto pra você aí!

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Bodoni:
a letra neo-classicista de Giambattista Bodoni

 

agora, vamos aprofundar o assunto sobre a história da letra e do criador! \0/

o excepcional desenho do mestre tipógrafo italiano Giambattista Bodoni, na mais clássica letra de sempre – os tipos Bodoni foram o resultado de 250 anos de evolução no design do tipo romano: linhas finas e sutis contrastam fortemente com hastes mais pesadas; os caractéres também são determinados pelo seu forte acento vertical.

 

“os caracteres criados por Bodoni caracterizam-se agora sobretudo pela passagem sutil e cuidadosamente estudada do traço no ao traço grosso ou pela coexistência de hastes nas e grossas, num jogo de claro escuro que é também o jogo em que é baseada a página bodoniana.
Com uma alternância estudada do corpo da letra nas linhas dos títulos e um cuidado especial na escolha dos papéis e das tintas, a página é ampla, simples, com margens e espaçamentos entre linhas generosos e grandes áreas da página em branco. A procura de clareza e luminosidade da página é reforçada pelo uso de tipos com altura-x reduzida e longos ascendentes e descendentes. Esta dialética do branco e negro dos caracteres é já, claramente, neo-clássica.”

da apresentação de João Bicker à sua tradução do
Manual Tipográfico de Giambattista Bodoni,
Coimbra, Almedina, 2001, pg.38-39

 

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[Torquato Tasso, Aminta, favola boschereccia, Parma 178]

 

 

as quatro fontes da beleza de um caractere, segundo Bodoni

dos quatro aspectos dos quais emana toda a beleza de um caractere, o primeiro é a regularidade. analisando o alfabeto de qualquer idioma, vamos encontrar não só traços similares num grande número de letras distintas, mas também veri car que podem ser compostas de poucas partes idênticas, combinadas em grupos.
se tomarmos a média de tudo – o que não serve para distinguir uma letra da outra –, e acentuarmos tão claramente quanto possível as diferenças mais necessárias para esta distinção, conseguiremos xar, para determinar a forma de todas as letras, uma ordem e uma regra; surge semelhança sem imprecisão, variedade sem incoerência, igualdade e simetria sem confusão.
o segundo é a nitidez e o polimento, que vem da perfeição dos buris e da fundição perfeita dos caracteres. o terceiro aspecto é a escolha das melhores formas, em concordância com o bom gosto, com o espírito da nação e o espírito do século.

 

um caractere será mais belo quanto mais tiver regularidade,
nitidez, bom gosto e graça.

 

 

a moda reina na escrita como em todas as coisas, impondo-lhe regras, razoáveis ou não. no entanto, se não houver nenhum motivo melhor e se a moda nos deixar livres, o bom gosto irá orientado pela simplicidade — não a simplicidade grosseira que se manifestaria em traços uniformemente espessos, mas por uma simplicidade agradável e de boa qualidade, como a que observamos no harmonioso contraste de claro e escuro em todo a caligra a feita com uma pena bem apontada e firme.

a graça é o quarto e último aspecto para completar a beleza do impresso. sabemos quão difícil é explicar o que há de atraente, encantador e delicioso naquilo a que chamamos graça. mas como a graça deve sempre tender a parecer natural e inerente, deve fugir ao forçado, ao que não é natural, a ponto de não estar errado procurá-la no que há de mais raro e mais perfeito, no que possa ser o cruzamento dum puro dom de Deus e de uma feliz natureza, embora ela geralmente não seja senão fruto de longos exercícios e do hábito, o qual torna tão fáceis as coisas mais difíceis que, mesmo sem pensar, as realizamos com perfeição.

 

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[detalhe de Filosofia 3 (Siena) do Manuale Tipográfico. fotografia de Riccardo Olocco]

 

 

revivalismos da fonte de Bodoni

vamos aprofundar mais? #vixi
em 1901, a fundição italiana Nebiolo remoldou o tipo Bodoni. atualmente existem dezenas de redesenhos da Bodoni, baseados nas fontes publicadas no Manuale.

a versão existente na Adobe Type Library é proveniente da versão criada por Morris Fuller Benton para a Linotype entre 1908 e 1915.

• ATF Bodoni de M.F. Benton (1907-1915)
• Mergenthales Linotype Bodoni (1914-1916)
• Haas Bodoni (1924-1939)
•Bauer Bodoni de Louis Hoell (1924)
• Berthold Bodoni (1930)

A Bauer Bodoni é uma versão da Bodoni que foi criada em 1926 pelo tipógrafo Heinrich Jost (1889– 1949), para a Bauer. Jost foi o director artístico da Fundição de tipos Bauer de 1822 até 1948.

 

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[Bauer Bodoni e Bauer Bodoni Itálica, 1926, de Heinrich Jost]

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Giambattista Bodoni (1740, 1813)

senta que lá vem história…
ele nasceu a 16 de Fevereiro de 1740 em Saluzzo, no Piemonte. aprendeu na oficina do pai o ofício de tipógrafo e a arte de gravar tipos.
com 18 anos partiu para Roma, para completar os estudos. primeiro gravou punções e vinhetas; de 1758 a 1766 trabalhou como compositor na editora poliglota Propaganda Fide – o que explica o seu interesse precoce por idiomas, letras e culturas estrangeiras.

estuda línguas orientais na universidade católica La Sapienza, edita publicações exóticas. em 1762 imprime a sua primeira obra: um missal árabe-copta e um Alfabeto Tibetano, do Padre Giorgi.
em 1767, Bodoni é chamado a dirigir a imprensa do grão-duque Ferdinando di Parma. os seus tipos e as suas elegantíssimas impressões garantem-lhe a admiração incondicional dos seus contemporâneos — e dos peritos e apreciadores de hoje.

em 1771, Bodoni edita a sua primeira obra tipográ ca, Fregi e Majuscole, com a qual inicia uma série de manuais técnicos saídos dos seus prelos. e espalha estes manuais por toda a Europa, para fazer e cazmente propaganda à sua O cina Typogra ca — presentes para desencadear o fortissimamente volli dos apreciadores de livros de luxo.

em 1782, Bodoni foi promovido a impressor régio por Carlos III de Espanha. no mesmo ano saiu do prelo o Essai de Charactères Russes, composto quando da visita do czar russo à sua o cina.
a partir de 1790, o grão-duque de Parma permite-lhe a exploração de uma o cina particular. aqui são levadas ao prelo as magní cas edições dos clássicos gregos, romanos e italianos – uma série começada em 1791 com Horácio – sob a protecção do embaixador espanhol em Roma, Nicolò de Azara. as edições de Bodoni trazem agora o seu nobre selo: Parmæ, Typis Bodonianis.

em 1808 é impressa a Ilíada em grego, uma sumptuosa edição em três volumes. dois exemplares são im- pressos em pergaminho bávaro, um para Napoleão Bonaparte (hoje na Bibliothèque Nationale em Paris) e o outro para Eugénio de Beauharnais.
nos últimos anos, Bodoni trabalhou por encomenda do rei de Nápoles na edição dos clássicos da literatura francesa: Fenelon, Racine, La Fontaine, Boileau.

Bodoni morreu no ano de 1813 em Parma; em 1818, a sua viúva publicou em dois volumes, somando 543 páginas, o Manuale Tipogra co, que Bodoni preparara ao longo de 50 anos.

 

ufa!
acabei toda a “dissertação”! #risos!
aqui é assim, cultura também!

agora uma nota: adivinha qual fonte/letra eu escolhi para padronizar meus trabalhos acadêmicos? #amô

 

com carinho,
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e relaxa, eu não vou lotar sua caixa de e-mails ¬¬

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bibliografia/ fontes de pesquisa
HEITINGER, Paulo. Tipografos.net. Disponível em
http://www.tipografos.net/historia/bodoni.html

HEITINGER, Paulo. Tipografos.net. Disponível em
https://skdesu.com/estudando-kanji-ie/

DESU, Suki. Suki Desu. Disponível em
http://www.tipografos.net/tipos/bodoni.html

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